Para nos fazermos ouvir, fazermos futuro.

Dizia minha avó, que em paz descanse, “não te signifiques”, chegada a hora das eleições. Ela queria dizer, como pudestes entender, “que ninguém saiba a quem é que ides votar”. Um silêncio ante o medo de acharmos o nosso lugar reduzido por uma ideologia, por um pensamento, por uma escolha. O medo da não aprovação ante uma maioria social.

Pois bem, para nos fazermos ouvir, temos de nos posicionar, temos de ser conscientes da nossa situação e obrar em consequência. Não podemos ter a constante preocupação de se todo o mundo vai aceitar o caminho que achamos junto e necessário. Temos de ter confiança e fôlegos a bondo para carregar com as nossas decisões.

A nossa história social, literária, tem demonstrado que existe um ciclo constante no tempo, que somos uma constante repetição. Os movimentos sucedem-se em confronto com movimentos anteriores, as tradições são conservadas, modificadas ou desaparecem. Com isto queremos dizer, que sermos rebeldes e nos fazermos ouvir é a nossa natureza.

Pode que durante a nossa história tenhamos perdido muitas vezes, pode que a constante derrota que nos atribuem os que escrevem os livros de texto onde aprendemos quem fomos, determina o que somos e o que seremos, mas não tem de ser assim. Devemos acreditar num futuro onde as nossas escolhas façam a diferença, onde sejamos capazes de materializar os nossos desejos.

Se algo temos de aprender da nossa história, é que um evento pode alterar a nossa perceção do mundo, pode mudar os limites geográficos, os limites linguísticos, o estado económico e social. Nós somos a nossa história e estamos a escrevê-la com cada juízo, com cada deliberação. Não podemos permitir que nos calem e que nos tirem o direito a fazermos futuro.

Se ainda acreditamos em que somos donos e não servos da nossa sina, se ainda praticamos o livre exercício da crítica, se ainda somos capazes de questionar o nosso estado, se ainda mantemos a esperança, se ainda temos aços para nos manter erguidos ante a chuva que nunca se apaga, teremos um amanhã. Só não teremos um amanhã se acharmos que somos os vencidos, os sem voz, os sem terra, os sem língua.

Aqui e agora, acreditais no nosso, no vosso futuro? É o momento de nos significar, porque não semantizar a nossa existência é o mesmo que não tê-la, é o mesmo do que não ser. Sejamos para sermos, sejamos para ter futuro.

Como começar a (re)integração do galego na casa comum do romance atlântico

O académico e professor Martinho Montero Santalha partilha no seu perfil da página Academia.edu muitos materiais de grande interesse. O elenco de ensaios atende a temáticas variadas, entre as que podemos achar estudos medievais ou mesmo documentação relativa ao reintegracionismo, entre outros.

Um dos documentos que achamos no seu arquivo é o seguinte:

https://www.academia.edu/10124059/Explica%C3%A7%C3%B5es_sobre_alguns_pontos_das_Orienta%C3%A7%C3%B5es_para_a_escrita_do_nosso_idioma_1982_?fbclid=IwAR25d7IXr3zxVGC8w-XSwR3N_DnVU2bQ7BAiLSGG1AMtCUzW1MRv6EfRVzc

“Orientaçons para a escrita do noso idioma”

Neste sintético escrito aparecem as noções básicas para começar a nossa integração ortográfica. Temos de ter em conta a longa data do panfleto, pois a ASPG que tinha avançado face a reintegração do idioma abandonou o seu caminho para se ajeitar aos tempos do decreto impositivo (Filgueira Valverde). Hoje escrevem o seu galego em castelhano.

Observemos as anotações:
Uso do LH, NH/MH, G/J, B/V, Z e uso de traço.

Achamos que o primeiro caminho na situação atual seria uma ponte que permita aderir a novos jeito de ver e perceber a língua, que rompam preconceitos e aumentem o interesse em manter o que é de nosso. O Binormativismo, iniciativa elaborada pela AGAL, parece ser o mais acaído nos tempos em que estamos. É uma forma de transitar entre as duas normas do galego, de dar liberdade de uso aos indivíduos para aprender e utilizar o galego que lhes resulte mais cómodo ou coerente, questão não pouco importante e que agora mesmo é impossível, pois só a norma da RAG aparece no ensino, por enquanto a da AGAL é um exercício de aprendizagem individual e autodidata. Ainda assim, os utentes da norma AGAL são cada dia mais e mais diversos, ganhando espaço desde a invisibilidade em que foi colocado o seu trabalho.
Sem dúvida, achamos que o caminho é dar escolhas, as pessoas hão ser quem realmente marquem o leme, pois a língua é sua, nossa.

Blogues para lembrar

Cada vez que achar ou lembrar um blogue de interesse, com dados de utilidade e valor, hei pôr nestes lares a sua ligação. O primeiro deve ser, sem dúvida, o de https://lusopatia.wordpress.com/, um blogue cheio de curiosidades linguísticas que podem ser de grande utilidade para quem estudar português. O melhor do blogue é estar dirigido e redigido por uma galega de muito saber, que sempre há ter em consideração os falsos amigos e outros erros nos que facilmente podemos cair os galegos por culpa da influência do castelhano. Não há melhor forma de purificar o nosso galego do que atendendo às dicas deste imprescindível arquivo.

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